KAMOV Ka-32

 À algum tempo atrás escrevi acerca da intenção do Governo Português querer vender os 6 Helicópteros Kamov Ka-32 que estão destinados ao combate a incêndios florestais, recuperação e evacuação de sinistrados, transporte de órgãos humanos para transplante, busca e salvamento, vigilância de fronteiras, segurança rodoviária e apoio às forças e serviços de segurança e substitui-los por 6 Helicópteros Aérospatiale SA-330 Puma transformados e já propriedade da Força Aérea Portuguesa.

 A 30 de Outubro de 2011 o Ministério da Administração Interna anunciou a extinção da EMA (Empresa de Meios Aéreos) que era a responsável por operar os Kamov Ka-32, tendo sido apontada a Força Aérea Portuguesa como o possível substituto desta empresa, o que até a data não foi confirmado.

Os Kamov Ka-32 são construídos na empresa Kamov na Rússia. O seu desenvolvimento iniciou-se em 1974 e teve como base o Kamov Ka-25 sobre o qual se projectou novas especificações para responder a diversos tipos de requisições, sendo fabricados até aos dias de hoje. Em 2006 Portugal adquiriu 6 destes Helicópteros na sua versão de combate a incêndios, que são equipados com um “bambi-bucket” com capacidade para até 5000 litros de água, tendo estes mesmos entrado oficialmente ao serviço em 2008.

O Kamov Ka-32 é um Helicóptero de carga pesado, bi-motor que usa um trem de aterragem tipo triciclo e tem como principal característica a inexistência de rotor de cauda, usando dois rotores principais de 3 pás rodando em sentidos opostos.

Ficha Técnica:

 

Os Helicópteros Kamov Ka-32 que estão ao serviço de Portugal têm excelentes características técnicas, estando dotados de excelente equipamento de navegação e estão também preparados para voar à noite assim como em condições meteorológicas adversas, o que os levam a ser um dos melhores helicópteros pesados existentes no mundo, sendo também muito  eficaz no combate a incêndios.

Os Aérospatiale SA-330 Puma sempre foram conhecidos no meio aeronáutico como tendo custos de operação muito elevados, tendo também programas de manutenção que obrigam a longas e constantes paragens incomportáveis com os programas de manutenção das aeronaves mais actuais. As aeronaves deste tipo pertencentes à Força Aérea Portuguesa têm cerca de 40 anos o que as torna já datadas e aumenta a dificuldade de uma possível adaptação para o combate a incêndios florestais.

Os Helicópteros Kamov têm uma particularidade em relação aos restantes Helicópteros existentes que é a inexistência de rotor de cauda e a adopção de dois rotores principais de 3 pás que giram em sentidos opostos. A sua navegação é auxiliada por dois enormes lemes traseiros que ajudam a controlar e a superar a inexistência de rotor de cauda. Este tipo de configuração foi projectado para a operação a partir de navios, pois a não existência de um rotor de cauda torna a aeronave mais compacta.

A venda dos 6 Kamov Ka-32 que Portugal possui seria um bom encaixe para os cofres do estado, mas a adaptação dos datados Aérospatiale SA-330 Puma seria impensável numa conjectura actual, além de que o combate a incêndios florestais é a operação mais violenta a que uma aeronave pode ser submetida, e é onde o Kamov Ka-32 demonstra todo o seu potencial nesta operação. Além da idade ser um factor que pesa contra uma possível adaptação dos Aérospatiale SA-330 Puma, a sua capacidade de carga suspensa é cerca de metade da oferecida pelo Kamov Ka-32 o que possivelmente iria ser insuficiente para obter os níveis de desempenho dos oferecidos actualmente.

Aérospatiale SA-330 Puma

Numa altura em que se ouve que o Ministério da Administração Interna propõe trocar os helicópteros pesados de combate a incêndios Kamov Ka-32 de origem Russa pelos helicópteros Aérospatiale SA-330 Puma propriedade da Força Aérea Portuguesa, irei apresentar uma pequena descrição acerca dos dois helicópteros e sobre as suas vantagens e desvantagens.

Os Aérospatiale SA-330 Puma eram construídos na empresa Aérospatiale em França. A Força Aérea Portuguesa adquiriu em 1970 13 destas aeronaves devido à necessidade de uma maior capacidade de carga e transporte de pessoal durante a Guerra do Ultramar. Actualmente os helicópteros SA-330 Puma da Força já não cumprem serviço, tendo sido oficialmente retirados do activo a 3 de Fevereiro de 2006, sendo substituídos pelos Agusta-Westland EH-101 Merlin.

O Aérospatiale SA-330 Puma é um helicóptero de transporte médio, bi-motor que usa um trem de aterragem tipo triciclo retráctil com rodas duplas em cada unidade e usa um rotor principal de 4 pás.

Ficha Técnica:

 

Os helicópteros SA – 330 Puma pertencentes à Força Aérea Portuguesa estavam destacados na Esquadra 751 – Pumas, que tinham como objectivo executar missões de evacuação sanitária e executar operações de transporte aéreo geral.

Os Aérospatiale SA-330 Puma são helicópteros médios de transporte bastante manobráveis e fiáveis e capazes de voar seja de dia ou de noite, o que sempre foi demonstrado nas acções executadas ao serviço da Força Aérea Portuguesa.

Actualmente os Aérospatiale SA-330 Puma já estão fora de serviço, mas poderão voltar ao activo no combate aos incêndios florestais substituindo os 6 Kamov Ka-32 adquiridos em 2006 que por sua vez poderão ser vendidos reembolsando uma grande parte dos 43 milhões de euros que estes custaram em 2006, que por sua vez teriam de ser gastos na transformação dos velhos Aérospatiale SA-330 Puma.

Apesar de uma significativa menor capacidade de carga suspensa (Máximo de 3200 Kg contra os 5000 Kg dos Kamov Ka-32) os SA – 330 Puma são já propriedade nacional, mas já tem uma idade considerável para concorrer com o Kamov Ka-32 que são quase novos, além de que os SA – 330 Puma necessitam de longas e constantes paragens para manutenção e transforma-los em aeronaves de combate a incêndios seria muito dispendioso e a operacionalidade sairia bastante prejudicada.

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