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Ayrton Senna

Foi à 17 anos, no dia 1 de Maio de 1994 que se perdeu um dos maiores talentos do automobilismo mundial, e sobretudo da F1. Às 14 horas e 10 minutos na curva Tamburello do Circuito Enzo e Dino Ferrari, em Imola, Ayrton Senna e o seu Williams seguiram em frente não deixando qualquer hipótese de correcção por parte do piloto.

Carácter

Ayrton Senna era um Homem virtuoso, que sabia olhar para tudo e todos que o rodeavam, e jamais pactuou com injustiças. A nível automobilístico, Ayrton Senna foi e ainda continua a ser um dos pilotos mais admirados de sempre, possuía uma habilidade para pilotar fora de série, mas era bastante introspectivo e extremamente passional, costumava pilotar como uma forma de se auto-descobrir.

“Quanto mais eu me esforço, mais eu me encontro. Eu estou sempre olhando um passo à frente, um diferente mundo para entrar, lugares onde eu nunca estive antes. É muito solitário pilotar num GP, mas muito cativante. Eu senti novas sensações e eu quero mais. Essa é a minha excitação, minha motivação.”

Possuidor de um temperamento muito calmo e frio fora da pista, apresentava uma agressividade fenomenal dentro de pista, ao mesmo tempo que conseguia manter a concentração e a frieza necessária para pilotar um F1 no Limite.

Controverso e Criticado

Apesar da grande empatia que o publico tinha por Ayrton Senna, este nunca granjeou os melhores amigos dentro do meio automobilístico, tudo devido ao seu temperamento. Durante a sua carreira Ayrton Senna envolveu-se em diversos acidentes, e via os seus rivais mais directos (Nelson Piquet, Alain Prost) como completos inimigos,  isto sem contar com alguns confrontos com os mais poderosos dirigentes desportivos.

No entanto Ayrton Senna mantinha uma boa relação com Nigel Mansell, que numa das suas muitas disputas em Interlagos fez um pião no “S do Senna” e abandonou a prova, mas quando Senna passou pelo local na volta seguinte, Mansell já fora do carro fez um gesto de aplauso, que Senna retribuiu prontamente acenando.

Mas sem dúvida que um dos maiores gestos de desportivismo demonstrados numa corrida de F1, foi em 1991 em Silverstone, Inglaterra. Após abandonar por falta de combustível no seu Maclaren-Honda, Nigel Mansell ofereceu-lhe uma boleia a Ayrton Senna a bordo do seu Williams, após ter vencido a corrida.

 

Acidente e Sua Morte

Tudo aconteceu na 3ª corrida da temporada de 1994, no GP de San Marino em Ímola.  Durante esse fim-de-semana Ayrton havia conquistado a pole-position, mas não se adivinhava uma corrida fácil. Ayrton Senna estava particularmente preocupado com a sucessão de acidentes acontecidos até então.

Um deles, no dia de Sexta-Feira durante a sessão de qualificação da tarde o piloto brasileiro Rubens Barrichello perdeu o controlo do seu Jordan chocando violentamente contra a barreira de pneus, escapando com algumas escoriações e o nariz partido.

O segundo acidente e bem mais grave aconteceu no dia de Sábado, na curva Villenuve, onde durante os treinos livres o Austríaco Roland Ratzenberger que corria pela equipa Simtek bateu violentamente após a asa dianteira do seu carro se ter soltado. Ratzenberger não resistiu ao forte embate tendo falecido no Hospital Maggiore de Bolonha minutos depois.

No dia de Domingo todos os pilotos concordaram em correr apesar dos acontecimentos sucedidos nos dias anteriores. Ayrton Senna saiu da primeira linha da grelha de partida, enquanto J.J. Lehto deixou “calar” o motor do seu Benetton obrigando alguns pilotos a desviarem-se, porém o Português Pedro Lamy que corria pela Lotus-Mugen bateu na traseira do carro de Lehto levando à entrada em pista do Safety-Car por 5 voltas.

Na sétima volta a corrida foi reiniciada e Senna rapidamente carimbou a sua 3ª melhor volta da corrida, seguido por Schumacher. Foi então que Senna iniciou a sua ultima volta, na 8ª volta à entrada da curva Tamburello Ayrton Senna perdeu o controlo do carro a 300Km\h, mas o sistema de telemetria usado no carro de Senna mostrou que após ele ter sentido o descontrolo do carro e nessa fracção de segundos ainda conseguiu reduzir a velocidade para cerca de 240Km\h, seguindo em linha recta e batendo contra o muro de cimento de limite da pista.

Ao chegarem ao local do acidente os oficiais de pista e ao perceberem a gravidade da situação pouco mais puderam fazer do que esperar pela equipa médica. Foi então que enquanto milhões de pessoas assistiam em directo pela TV que a cabeça de Senna se mexeu levemente, trazendo de novo a esperança de que ele ficaria bem.

Ayrton Senna foi retirado do seu carro pelo Médico e Professor Sidney Watkins (neurocirurgião de renome mundial que pertencia aos quadros da Comissão Médica e de Segurança da F1 e chefe da equipa médica da corrida). Senna recebeu os primeiros socorros ainda na pista ates de ser transportado de helicóptero para o Hospital Maggiore de Bolonha, onde poucas horas depois seria declarado como morto.

O Médico e Professor Sidney Watkins, viria mais tarde a dizer que:

“Ele estava sereno. Eu levantei suas pálpebras e estava claro, através das suas pupilas, que ele sofrera um ferimento maciço no cérebro. Nós o tiramos do cockpit e o pusemos no chão. Embora eu seja totalmente agnóstico, eu senti sua alma partir nesse momento.”

Os médicos tudo fizeram para tentar dar a Ayrton Senna um réstia de esperança, mas o seu estado de saúde era gravíssimo. Além de outras lesões, como a fractura do baixo crânio, um dos tirantes do braço de suspensão direito do Williams tinha-se soltado e perfurado o capacete do piloto junto à viseira, penetrando-lhe o cérebro através do globo ocular.

Durante a remoção dos destroços do carro de Ayrton Senna foi encontrada a bandeira Austríaca que, em caso de uma possível vitória, Ayrton Senna empunharia em homenagem ao Austríaco Roland Ratzenberger, morto um dia antes.

Fim-de-Semana Fatídico

O fim-de-semana de 29 de Abril a 1 de Maio de 1994 foi trágico. Para além do acidente do brasileiro Barrichello e de J.J. Lehto e Pedro Lamy que fez arremessar dois pneus para a bancada ferindo vários espectadores, e das mortes de Roland Ratzenberger e Ayrton Senna, o Italiano Michele Alboreto que corria pela Minardi, perdeu um pneu à saída da boxe e embateu contra os mecânicos da Ferrari e da Lotus, ferindo-os.

Não bastando tudo o que tinha acontecido, durante os momentos do acidente de Senna as comunicações no circuito entraram em colapso, permitindo que o piloto Erik Comas da equipa Larousse deixasse as Boxes e voltasse à pista quando esta já havia sido interrompida. Erik Comas apenas se apercebeu do sucedido quando os fiscais de pista mais próximos do acidente lhe fizeram sinal freneticamente com bandeiras vermelhas indicando-lhe a situação. Se não fosse Erik Comas entender rapidamente as indicações dos discais de pista este poderia ter embatido contra o Helicóptero que se encontrava pousado na pista para transportar Senna para o hospital.

 

O Mágico da Chuva

Quem não se lembra do magnífico GP de Portugal no Estoril em 1985 em que Ayrton Senna ganhou magistralmente sob condições atmosféricas tão adversas, que anteviam a interrupção da corrida.

Em qualquer desporto motorizado a chuva é considerada um “equalizador”, pois evidencia as capacidades dos pilotos e deixando as eventuais diferenças de potência em segundo plano. Competir à chuva exige um grande esforço físico e uma grande habilidade para controlar o carro sob condições mais escorregadias. No entanto Ayrton Senna era considerado o melhor de todos nessas condições.

Uma das tácticas usadas por Senna era não trocar de pneus Slick para os pneus com Sulcos logo nas primeiras voltas com chuva. Com esta táctica apesar de ser extremamente mais difícil de controlar o carro e de o manter em pista, frequentemente Senna ganhava preciosos segundos de vantagem sobre os seus mais próximos perseguidores, pois eles paravam na Boxe para trocar de pneus.

Além deste jogo táctico Ayrton Senna pilotava de uma forma única à chuva, mantendo a agressividade e deliciando os espectadores com incríveis manobras e uma rapidez inigualável em tais condições.

 

Conclusão

Ayrton Senna morreu a fazer aquilo que mais gostava, que era pilotar um carro de corrida. Que continue a descansar em paz, o Grande e Eterno Campeão!

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