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Acidente Nuclear de Chernobyl

O dia de hoje 26 de Abril de 2011 marca os 25 anos do maior acidente nuclear de sempre, mesmo quando ainda se fala da gravidade do recente acidente nuclear de Fukushima no Japão.

Estes dois acidentes nucleares pouco têm em comum, pois o acidente nuclear de Chernobyl foi causado por erro Humano, enquanto que em Fukushima foi a consequência de um abalo sísmico de grande magnitude.

A estação nuclear de Chernobyl fica localizada na Ucrânia, a cerca de 16km da fronteira com a Bielorrússia e a 110km da capital Ucraniana, Kiev. A estação nuclear era composta por 4 reactores nucleares que eram responsáveis pela produção de cerca de 10% da energia eléctrica usada pela Ucrânia na época do acidente. A estação tinha a capacidade de produzir cerca de 1 Gigawatt de energia eléctrica.

A sua construção começou no inicio da década de 1970 com o 1º reactor a ser colocado em funcionamento em 1977, seguido pelo 2º reactor em 1978, o 3º reactor em 1981 e por fim o 4º reactor em 1983.

A estação nuclear de Chernobyl recorria a um projecto de reactor nuclear bastante diferente do que era comum em outras estações nucleares. Usava um reactor que tinha como nome RBMK “Reactor Bolshoy Moshchnosty Kanalny”, este tipo de reactores nucleares não tinha nenhuma estrutura externa de contenção e operava usando um sistema de água pressurizada e barras individuais de combustível (óxido de urânio) usando a água como refrigerante e a grafite como moderador.

Este tipo de reactores nucleares apresentava uma característica negativa que era apresentar uma elevada instabilidade em baixos níveis de potência.

Foi durante as primeiras horas do dia 26 de Abril de 1986 mais precisamente às 1:23:58h locais que o 4º reactor da estação nuclear de Chernobyl sofreu uma enorme explosão de vapor que resultou num posterior incêndio e numa série de explosões adicionais levando à fusão do próprio reactor nuclear.

 

A Causas

Existem duas teorias oficialmente apoiadas relativamente ao acidente nuclear, a primeira foi publicada em Agosto de 1986 e atribuiu exclusivamente a culpa aos operadores do reactor nuclear, mas mais tarde em 1991 foi também apontada uma outra causa, desta vez referente a um defeito no projecto do reactor RBMK, mais especificamente ao nível das hastes de controlo.

Apesar de não haver um consenso relativamente à verdadeira causa, na realidade o acidente aconteceu devido a uma junção das duas causas apresentadas, sendo que a possibilidade do defeito no reactor nuclear foi exponencialmente agravada pelo erro humano. No entanto o factor crucial para o despoletar do acidente foi que o Engenheiro Chefe que estava responsável pela realização dos teste aos reactores, sabendo que o reactor seria perigoso em determinadas condições e descurando as normas de segurança impostos no manual de operação, autorizou e levou a cabo a realização de um teste de redução de potência o que resultou em desastre.

Além da junção do erro Humano com a fragilidade do reactor, tudo isto foi amplificado com uma equipa técnica pouco qualificada em reactores nucleares do tipo RBMK. O Director V.P. Bryukhanov apenas possuía experiência e treino com reactores termoeléctricos a carvão, o Engenheiro Chefe Nikolai Fomin também não tinha experiência em reactores nucleares do tipo RBMK, e o Ex-Engenheiro Chefe dos reactores número 3 e 4 apenas tinha alguma experiência com pequenos reactores nucleares.

O acidente sucedeu-se maioritariamente devido à violação das normas de segurança, muito provavelmente isto aconteceu porque os Engenheiros responsáveis ignoravam os defeitos do reactor RBMK. É de salientar que os operadores desligaram muitos dos sistemas de protecção do reactor, coisa que era expressamente proibida pelos guias técnicos.

 

Consequências

Após o começo dos teste no reactor número 4 e de este ter ficado descontrolado houve uma violenta explosão que demoliu completamente a protecção parcial do reactor, enquanto temperaturas superiores a 2000ºC derreteram as hastes de controlo e incendiaram a grafite que cobria o reactor. Foi então que o material radioactivo começou a ser libertado para a atmosfera.

Actualmente a cidade de Chernobyl não passa de uma cidade fantasma, e onde com o passar dos anos os níveis de radioactividade desceram consideravelmente para cerca de 10 vezes mais do que o corpo Humano consegue suportar e onde não é possível permanecer mais do que 15 minutos.

Perante tal acidente as autoridades demoraram mais de 30 horas a orientar toda a população a sair da cidade, de onde mais tarde o governo soviético admitiu 15 mil mortes, mas os números reais rondariam as 80 mil mortes.

Todos os operários presentes no local morreram, e todos aqueles que combateram o fogo no reactor e que estiveram directamente envolvidos na construção da estrutura de isolamento do reactor número 4 acabaram por morrer vítimas da exposição à radioactividade.

Após 25 anos a cidade agora fantasma ainda preserva os símbolos do regime soviético, houve até um parque de diversões que nunca chegou a abrir as suas portas, e nunca nenhuma criança chegou a brincar nele. Junto à estação nuclear não existe sequer vegetação.

 

Medidas de Contenção

Os dias que sucederam à explosão do reactor número 4 foram de tentativas fracassadas de controlar a libertação da radioactividade e de tentar controlar e extinguir o incêndio no reactor.

Entre os dias 27 de Abril de 1986 e 5 de Maio foram efectuadas mais de 1800 descargas de material extintor por helicópteros num total de 5000 toneladas, sobre o reactor na tentativa de controlar e extinguir o incêndio.

No dia 23 de Maio de 1986 o governo soviético ordenou a distribuição de iodo à população, sendo que em Novembro desse mesmo ano foi ordenada a construção de uma estrutura em cimento que cobre toda a área do reactor de modo a absorver a radiação remanescente e efectuar a contenção do material radioactivo. No entanto esta medida tomada à pressa foi dada como provisória, tendo como previsão de vida útil cerca de 30 anos.

Em 1989 o governo Russo embargou a construção dos reactores número 5 e 6 e finalmente em 12 de Dezembro de 2000 após várias negociações internacionais a estação nuclear foi desactivada.

 

Conclusão

Todos sabemos que este acidente se deveu a um conjunto de condições propícias, como a falta de experiência dos técnicos, a negligência das normas de segurança e das fragilidades do reactor. No entanto penso que o que aconteceu levou a que o planeamento, controlo e desenvolvimento de novas estações nucleares fosse mais minucioso e que se evoluíssem os reactores nucleares de modo a torna-los mais seguros e produtivos.

Penso que este acidente não tem qualquer “desculpa” possível pois provocou a morte de dezenas de milhares de pessoas e provocou doenças em outras tantas pessoas, mas é questão para dizer “Aprender Com os Erros”.

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